Crítica de filme 44# O Menino e o Mundo

O Menino e o Mundo me passava uma ideia de apenas um filme com um enredo interessante, desenhos e colorações simples, e uma produção de muito mais cunho artístico do que comercial. Quando o vi, acertei em alguns pontos a minha percepção. Porém, vi algo muito além.

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A narrativa sem narração, sem falas, apenas com situações expostas, reações do protagonista, explicava tanto quanto uma animação cheia de efeitos especiais, personagens engraçados, diálogos constantes de uma grande produção. A pegada sobre o que é animação, nos tira da zona de conforto com O Menino e o Mundo.

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Assim como seu baixo orçamento comparado aos gigantes da Disney, Pixar ou DreamWorks, o longa brasileiro, conseguiu passar profundos sentimentos, como a dor, amor e a saudade por não ter alguém que ama próximo a você. Também fez uma clara e consciente crítica do nosso sistema de sociedade.

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Explicando como funciona os meios de produção, os detentores dos meios de produção, e os trabalhadores com a sua busca por sobrevivência o destino selado de uma vida triste e previsível. A sociedade pela busca por lucros e a exploração causando problemas ambientais e sociais.

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A trilha sonora suave e repetitiva representava as músicas tradicionais de todas as regiões brasileiras, as festas populares como uma anestesia da dura rotina. As cores, as fitas e papéis, a multidão em alegria. Alê de Abreu trouxe tudo isso num filme. Do campo a cidade, do êxodo rural, a superpopulação das grande metrópoles, as periferias e a truculência policial. Todas bem descritas, mas, com o componente da fantasia e a visão infantil. Mereceu a indicação de Animação ao Oscar 2016. Minha nota para o filme é 10.

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Crítica de filme 43# A Vida é Bela

A Vida é Bela mostra algo muito além de um contexto de Segunda Guerra Mundial. Os judeus como seres humanos tinham várias reações diferentes, algumas caíam na depressão, mas não para Guido Orefice, brilhantemente interpretado por Roberto Benigni. O amor foi a principal narrativa de toda a trama, sentimento forte entre pai e filho.

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Guido lutando com todas as forças para que seu filho Gisouè (Giorgio Cantarini), olhasse aquela situação, como uma brincadeira, um mundo perfeito e feliz. Esse esforço foi com certeza o que mais tocou o filme do início ao fim. A trilha sonora é tão bela quanto o enredo, a fotografia compôs muito bem os ambientes externos, e nas cenas em que o foco eram os personagens.

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O figurino também é destacável, embora, não seja muito comentado. A comédia foi bem aplicada em momentos sequenciais de drama, dando um relaxamento ao espectador. Merecido pelos seus prêmios em Oscar e Cannes. A direção também de Benigni, foi executada de forma muito presencial, com uma liderança doce e sublime. Minha nota para o filme é 10.

Crítica de filme 42# A Lista de Schindler

A Lista de Schindler é para mim, um dos filmes mais profundos sobre a emoção humana. Não há como ver e negar uma indignação de um fato passado e ao se colocar diante das pessoas que passaram sofrimento na Segunda Guerra Mundial, em especial, os judeus. Liam Neeson desempenhou um brilhante papel como Schindler, um empresário alemão, responsável por salvar a vida de mais de mil pessoas judias.

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Além da constante tensão, cenas de ação agonizantes deixam a trama envolvente com o espectador e os personagens. Steven Spielberg explorou o enredo num estilo de documentário, com câmeras de mão, preto e branco, o que deixou melancólico e uma liberdade artística excepcional. O trabalho de Spielberg juntamente com o diretor de fotografia Janusz Kamiński, aplicando Expressionismo Alemão e o Neorrealismo Italiano.

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Ben Kingsley como o contador judeu executado de forma bem caricata, debochada e com muita frieza. Ralph Fiennes sendo o oficial da SS Amon Göth, desempenhou o lado corrupto do regime nazista e a constante troca de interesses. Emblemáticas situações foram marcadas no cinema, como a criança do casaco vermelho. A música Schindler’s List, também tem uma importância na narrativa, o som do violino emitiu a tristeza de toda a história. Minha nota para o filme é 10.

Crítica de filme 41# Deadpool

Você já imaginou um filme que do início ao fim gozasse do protagonista e a sua vida, piadas externas e internas sobre como é o andamento da produção? Eu vi isso em Deadpool. Ryan Reynolds tinha o desafio de se recuperar depois do fatídico Lanterna Verde. Sua carreira estava sendo muito questionada. O risco de um novo fracasso era grande, o marketing extremo sobre o longa, poderia dar a entender uma superestimação.

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Entretanto, cumpriu com as expectativas. Deadpool é um herói engraçado, sarcástico e zoeiro. O personagem também mostrou profundidade emotiva, mostrou seu lado humano, suas perdas e o sacríficio em busca de uma vingança em troca de um amor. A busca pela sua cura do câncer e a sua cura individual. Cenas de violência e de sexo também estiveram presentes na trama.

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Além do foco do personagem em flashbacks e as intercalações com piadas e cenas de ações muito bem executadas, o longa também trouxe uma variação de trilhas sonoras, fotografia mediana e a ligação com o universo X-Men. A cena pós-crédito mostrou a essência do mercenário terminando de forma inesperada e a novidade do segundo filme.

Crítica de filme 40# O Regresso

Esse filme é muito difícil de digerir, sai do cinema com uma feição de quem não sabia o que tinha visto. Até o momento, foi o mais diferente em todos os aspectos que presenciei numa sala de cinema. No final de tudo, você compreende o regresso de todo o desenvolvimento da história. É interessante como nos primeiros minutos, prende-se a sua atenção e a pegada lenta, dá a impressão de uma trama bem extensa ambientado em 1823.

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Todas as atuações não deixam despercebidos, Tom Hardy vem mostrando seu potencial em um personagem odioso, ganancioso e sem escrúpulos, além de um homem do velho oeste extremamente preconceituoso. Isso é um ponto interessante, quando o diretor Alejandro Iñarritu conseguiu também destacar o fato histórico dos genocídios indígenas e as guerras por terras e recursos dos índios.

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Não poderia deixar de comentar sobre a brilhante atuação de Leonardo DiCaprio. Realizando o papel mais divergente de todos em sua carreira, o ator conseguiu passar para o espectador as suas dores, aflições e agonias. Mostrou ter potencial de atuação em momentos onde as suas feições e movimentos falavam tanto quanto uma cena de diálogo.

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Seus devaneios, delírios, e força para viver, são excepcionais, incluindo a tensa cena com o urso, que deixou um dos maiores momentos de tensão. E também realizou uma bela relação de pai e filho que era mal visto por ser um índio Hawk, vivido por Forrest Goodluck.

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As dez indicações são merecidas, além dos melhores atores protagonista e coadjuvante, os de melhor filme e diretor pelo trabalho de Iñarritu, e a belíssima fotografia, onde captou detalhes da natureza, elementos compostos pelos personagens, os enquadramentos de baixo para cima, dando uma maior proximidade ao filme, dando impressão de estar dentro daquela história. Minha nota para o longa é 10,0.

 

Crítica de filme 39# As Crianças Lobo

A animação japonesa de 2012, As Crianças Lobo, titulo original, Ookami Kodomo no Ame to Yuki, do diretor Mamoru Hosoda. O filme mostra o amor entre a mãe e seus dois filhos. A história cobre 13 anos e começa com Hana, uma estudante de faculdade de 19 anos, que se encontra e se apaixona, por um Homem Lobo. Depois de se casar com ele, Hana dá a luz e cria duas crianças lobo,  a mais velha, Yuki (neve), nasceu em um dia em que nevava, e Ame (chuva), o mais novo, nasceu em um dia chuvoso. Os quatro viviam tranquilamente em um canto da cidade, para esconder a existência das Crianças Lobo, mas, quando o seu amado morre de repente, Hana decide se mudar para uma cidade rural, distante da modernidade.

Como mãe solteira, teve que enfrentar o desafio de cuidar das crianças lobo

O interessante do longa, é que Hana recebeu esse nome de seu pai porque em sua casa uma flor cresceu sozinha, e para o seu pai, as flores sempre estavam sorrindo para a vida, e ela deveria sorrir sempre, independente da sua situação estar difícil. A personagem representa a fibra da mãe solteira, que enfrenta uma sociedade preconceituosa e diversas dificuldades.

Hana teve que cuidar e ajudar seus filhos a tomar a decisão de viver como lobos ou como humanos

Ela para mim, se destaca como uma mãe guerreira, vivia com algumas economias, trabalhava, estudava e cuidou dos seus dois filhos. Eu gostei muito da trama, achei triste, mas ao mesmo tempo, alegre e nos faz uma reflexão das milhares de mães solteiras que passam por preconceitos da sociedade. Minha nota para o filme é 7,0.

 

Crítica de filme 38# Cazuza – O Tempo não Para

O drama brasileiro de 2004, Cazuza – O Tempo não Para, com direção de Walter Carvalho e Sandra Werneck. O longa é uma biografia sobre a vida do compositor e cantor, Cazuza. No início da carreira, em 1981, até a morte em 1990, aos 32 anos: o sucesso com o Barão Vermelho, a carreira solo, as músicas que falavam dos anseios de uma geração, o comportamento transgressor e a coragem de continuar a carreira, criando e se apresentando, mesmo debilitado pela Aids.

Cazuza, um dos maiores ícones da música

A relação entre os dois foram complicadas, mas o amor sempre venciaApesar de uma relação conturbada com a sua mãe, Lucinha Araújo, que cuidou de seu filho doente, e dedicou a sua vida para estar ao lado de Cazuza, com suas tristezas e momentos difíceis até seus último suspiro. Independente do seu gosto musical, ou achar que o artista em questão foi um mal exemplo, o drama pra mim é uma grande obra, alias, bibliografias cinematográficas são o forte do nosso cinema nacional. De zero a dez eu dou, um oito, muito pela questão estética e o enredo emocionante.